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|POSFÁCIO: PARALISIA DO SONO|


POSFÁCIO: PARALISIA DO SONO

A webnovel “Paralisia do Sono” nasceu durante um voo noturno internacional. Enquanto todos ao meu redor dormiam, eu permanecia acordado. Abri o bloco de notas onde guardo dezenas de roteiros rascunhados e comecei a escrever algo novo. A ideia inicial era transformar aquilo em um mangá, mas nunca fui muito bom com perspectiva ou anatomia para sustentar uma obra de várias páginas desenhadas. Por isso, como já gostava de escrever, segui a jornada de contar histórias através de palavras que formam imagens na mente das pessoas.

Escrever uma narrativa tão introspectiva exige muita energia mental, especialmente quando ela orbita o terror psicológico. Precisei descer vários níveis mentais junto com o protagonista para reproduzir, em texto, o máximo possível de seus estados internos. Inicialmente, eu queria criar uma obra maior, desenvolvendo vários personagens, mas deixei a própria história decidir para onde iria. O texto pediu cinco capítulos profundos e nada mais. Avançar além disso seria enrolação, e eu odeio histórias que se prolongam mais do que deveriam.

Há ainda um detalhe inevitável: escrever sobre paralisia do sono realmente me tira o sono. Principalmente por se tratar de algo que já vivi. Foram anos acordando preso no próprio corpo, sentindo presenças que a razão insiste em negar, mas que o medo jura estarem ali.

Essa história não nasceu apenas da imaginação. Ela veio de um lugar mais profundo. Ainda assim, foi uma experiência valiosa compartilhar isso com vocês.

Escrever vítimas, em vez de agentes, sempre é mais difícil para mim, pois o escritor se torna impotente junto com o personagem diante da experiência traumática que se desenrola. Houve momentos em que minha mente precisou de pausas para voltar aos trilhos com mais foco.

Creio que Hoshiruh foi a personagem mais divertida de escrever, pois ela representa o desejo sexual em sua forma encarnada. Construir a personalidade de um desejo humano é algo fascinante, sobretudo quando ele se manifesta com nuances charmosas e quentes, se é que me entendem.

No fim, olhando para o todo, terminar essa obra foi mais do que um simples projeto. Foi uma transmutação de um evento aterrorizante que vivi há muitos anos. Talvez seja por isso que me envolvi a ponto de ser drenado mentalmente durante uma semana inteira.

Espero que tenham sentido o peso que coloquei em cada palavra. Obrigado por lerem até o fim!

— Israel Reiss

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