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|POSFÁCIO: PARALISIA DO SONO|

POSFÁCIO: PARALISIA DO SONO A webnovel “Paralisia do Sono” nasceu durante um voo noturno internacional. Enquanto todos ao meu redor dormiam, eu permanecia acordado. Abri o bloco de notas onde guardo dezenas de roteiros rascunhados e comecei a escrever algo novo. A ideia inicial era transformar aquilo em um mangá, mas nunca fui muito bom com perspectiva ou anatomia para sustentar uma obra de várias páginas desenhadas. Por isso, como já gostava de escrever, segui a jornada de contar histórias através de palavras que formam imagens na mente das pessoas. Escrever uma narrativa tão introspectiva exige muita energia mental, especialmente quando ela orbita o terror psicológico. Precisei descer vários níveis mentais junto com o protagonista para reproduzir, em texto, o máximo possível de seus estados internos. Inicialmente, eu queria criar uma obra maior, desenvolvendo vários personagens, mas deixei a própria história decidir para onde iria. O texto pediu cinco capítulos profundos e nada mais...

PARALISIA DO SONO #5 |16+|

#5: LOOPING Psicóloga (anotando): “Então, segundo a sua percepção, você está preso?” Bachituh: “Uhum.” Psicóloga (anotando): “Ao meu ver, você entrou em um labirinto e, seja qual for a rota que seguir, continuará perdido.” Bachituh: “Uhum...” Bachituh estava deitado em um vazio. Não havia chão, mas ele também não sentia a queda. Não havia teto, mas também não havia céu. A psicóloga estava sentada à sua frente, ou acima? Ou ao lado? A distância entre eles parecia mudar a cada palavra. Às vezes ela estava perto demais. Às vezes tão longe que a voz dela parecia a reprodução de um eco. Psicóloga (ajeitando os óculos): “Sonhos são interessantes, sabia? Pois nunca sabemos como foi o início e nunca chegamos ao final.” Bachituh meneou a cabeça, concordando, sem conseguir mover outra parte do corpo. Psicóloga: “Meu diagnóstico, Bachi, é que você cedeu o espaço para todo o evento e, enquanto estiver dentro dele, não terá controle daquilo que criou.” Ele piscou. Água girava em círculos. Ele...

PARALISIA DO SONO #4 |16+|

#4: INSÔNIA “Respondendo à sua pergunta, quando eu não durmo por muito tempo, não é como se eu tivesse sono literal. Na verdade, é como se eu estivesse em alerta constante, porém lento ao mesmo tempo. É uma sensação estranha. Há momentos em que até a realidade se mistura com o sonho, e fica difícil distinguir uma coisa da outra.” Hoshiruh:  “Bachituh, eu amo quando você, depois de fazermos um amor tão intenso, vem com essas explicações filosóficas, sabe?” Ela respirou mais forte por um momento, como se quisesse repetir o que havia acontecido há poucos instantes. Hoshiruh:  “Você sabe exatamente como me acender, não é mesmo?” Ele estava envolto no lençol junto com ela, porém, mesmo juntos de maneira tão íntima, aquilo não preenchia o interesse dele. Hoshiruh (ficando nervosa):  “Ei, senhor introspectivo, você não reparou que tem uma loira pelada na mesma cama com você?” Ele se virou lentamente e deu um beijo intenso antes que ela pudesse falar mais alguma coisa. Bachituh (...

PARALISIA DO SONO #3 |16+|

#3: PESADELO “Por que amo tanto ela?” Psicóloga (curiosa): “Espero que você responda essa pergunta para mim, Bachituh.” Dentro do prédio dedicado à empresa de Bachituh, existia uma sala onde certos funcionários que apresentavam problemas de produtividade eram designados, caso quisessem continuar trabalhando. A sala era fria devido ao ar-condicionado, quieta por estar isolada da área dos trabalhadores e aconchegante por ter um sofá de couro preto no centro e uma poltrona ao lado, onde a psicóloga fazia anotações. Bachituh virou o pescoço subitamente na direção da profissional, de maneira contida, e soltou um comentário. “Com todo respeito, mas você não é a profissional que vai me ajudar a me entender aqui?” Psicóloga (educada): “Meu amor, não posso decifrar o que sente a não ser que dê forma ao que pensa. Normalmente, voltar às lembranças do passado nos dá um panorama melhor de seu estado.” Ela mudou a postura, cruzou as pernas, fazendo-o desviar o olhar e voltar o pescoço novamente p...

PARALISIA DO SONO #2 |16+|

#2: SONHO   “Ei! Ei!”   Bachituh forçava sua mente a permanecer desperta, porém nenhum esforço surtia efeito. O som dos gritos de seu chefe vinha abafado, como se atravessasse uma camada espessa de água. A voz chamava seu nome até que, de repente, uma batida forte ecoou sobre a sua mesa. O ruído seco e agudo rasgou o resto de sono que ainda o mantinha preso.   “O QUÊ?!”   Bachituh disse, completamente desorientado.     O escritório inteiro parecia observá-lo. Naquele instante, Bachituh deixou de ser apenas mais um funcionário e se tornou a atração principal.   Chefe: “Olha só, a princesa finalmente acordou para trabalhar? “   Bachituh: “Chefe, eu posso explicar...”   Chefe: “Estou farto de desculpas. Eu quero resultados.”   O chefe se afastou, caminhando em direção à sua sala no escritório.   Bachituh soltou o ar lentamente. Pegou a xícara de café sobre a mesa e a esvaziou em um único gole, sem sentir gosto algum. O calor não o de...

PARALISIA DO SONO #1 |16+|

#1: LEMBRANÇAS A água quente caía sobre a cabeça de Bachituh como se quisesse arrancar alguma coisa dele. O vapor subia, grudava nas paredes e no teto do banheiro, transformando o boxe num aquário branco. O espelho, do lado de fora, já tinha virado uma névoa opaca. Bachituh ficou parado, o ombro encostado no azulejo, a testa inclinada para frente. O barulho do chuveiro era constante. Quando ele fechou os olhos, veio a mesma coisa de sempre: um corredor comprido, cheiro de piso encerado, vozes misturadas, risadas jovens. E, no meio desse cenário, um nome. Um rosto. Uma presença que se recusava a virar passado. Uneyova Fazia muito tempo que ele não falava esse nome em voz alta. Tinha medo de que o som tornasse tudo mais real, mesmo que fosse apenas em sua mente. A memória dela vinha em flashes. Às vezes era o jeito dela prender o cabelo. Às vezes era o brilho nos olhos quando ele dizia algo bobo. Às vezes era apenas a sensação de que, perto dela, até respirar era prazeroso. Bachituh apoi...