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PARALISIA DO SONO #2 |16+|


#2: SONHO
 
“Ei! Ei!”
 
Bachituh forçava sua mente a permanecer desperta, porém nenhum esforço surtia efeito. O som dos gritos de seu chefe vinha abafado, como se atravessasse uma camada espessa de água. A voz chamava seu nome até que, de repente, uma batida forte ecoou sobre a sua mesa. O ruído seco e agudo rasgou o resto de sono que ainda o mantinha preso.
 
“O QUÊ?!”
 
Bachituh disse, completamente desorientado. 
 
O escritório inteiro parecia observá-lo. Naquele instante, Bachituh deixou de ser apenas mais um funcionário e se tornou a atração principal.
 
Chefe: “Olha só, a princesa finalmente acordou para trabalhar?
 
Bachituh: “Chefe, eu posso explicar...”
 
Chefe: “Estou farto de desculpas. Eu quero resultados.”
 
O chefe se afastou, caminhando em direção à sua sala no escritório.
 
Bachituh soltou o ar lentamente. Pegou a xícara de café sobre a mesa e a esvaziou em um único gole, sem sentir gosto algum. O calor não o despertou. Apenas confirmou o transe que ele vivia.
 
Bachituh: (pensando): “Ele acha que controlo meu sono.”
 
Ele segurou o mouse e abriu as pastas do drive. Arquivos, números, textos. Tudo passava diante de seus olhos sem deixar marca. Enquanto fazia anotações automáticas num bloco digital, a consciência se afastava cada vez mais.
 
O som constante do teclado preenchia o espaço estreito que ocupava naquele escritório amplo e impessoal. Foi quando uma mulher se aproximou de sua mesa.
 
“Bachituh, te enviei um material pra fazer algumas anotações. O chefe disse que é um contrato que só a tua divisão pode cuidar por enquanto.”
 
Ele continuou digitando, os olhos fixos na tela, repetindo movimentos já decorados.
 
“Você está me ouvindo?”
 
Ela se inclinou levemente sobre a mesa. O gesto foi rápido, mas suficiente para romper sua concentração. Bachituh desviou o olhar por reflexo e logo se arrependeu.
 
Bachituh: “Tu deveria usar roupas mais comportadas no ambiente de trabalho, Hoshiruh.”
 
Ela ergueu a sobrancelha, com um sorriso travesso.
 
Hoshiruh: “Então tu presta atenção nas minhas roupas, né?”
 
Bachituh moveu as mãos de forma desajeitada, tentando se corrigir.
 
Bachituh: “Não foi isso. Tu entendeu errado...”
 
Antes que pudesse continuar, Hoshiruh se afastou lentamente, mantendo o olhar preso ao dele.
  
Hoshiruh: “Confere o e-mail que eu te mandei. É importante.”
 
Ele assentiu em silêncio desistindo de se explicar. Ela se inclinou no nível do ouvido dele apenas o suficiente para sussurrar:
 
“Estou com desejos esses dias, sabe?”

Hoshiruh se levantou lentamente, fazendo o decote se alinhar à postura ereta, e foi se afastando da mesa dele até que, finalmente, se virou. Os cabelos esvoaçaram, movendo-se na direção dos olhos dele. Ela olhou para frente, ajeitou a barra do vestido vermelho curto, que subia insistentemente, e começou a andar, enquanto seus saltos altos produziam o som característico:

TAC, TAC, TAC
 
Bachituh (pensando): “Eu não sei o que ela vê em mim. Eu apenas sinto tesão por ela, nada mais.”
 
Ele apoiava o rosto nas mãos, afundado no próprio constrangimento, quando o chefe passou novamente por sua mesa.

Chefe: “Tudo bem por aí?
 
Bachituh (ajeitando a postura): “Sim, senhor.”
 
O chefe seguiu adiante, retomando sua caminhada.
 
Bachituh finalizou as demandas antes mesmo de perceber conscientemente. Foi aí que alongou os dedos por um instante e se levantou.

Nos armários, ao abrir o seu, piscou mais lentamente do que o normal. O corpo vacilou por um segundo. Um flash atravessou sua visão: um sorriso demoníaco, como um jump scare, o que o fez reagir instintivamente, dando um soco no armário e produzindo um som alto.
 
Algumas garotas por perto lançaram olhares frios para a cena. Bachituh, constrangido, fingiu um gesto qualquer com a mão e disse:
 
“Esses insetos…”
 
Elas cochicharam de maneira estranha, passaram ao seu lado e, em seguida, viraram à esquerda, em direção ao banheiro feminino.
 
Bachituh (pensando): “O que está acontecendo comigo?"
  
Ele pegou suas coisas.
 
Bachituh (pensando): “Eu preciso superá-la. Não posso ficar mal por alguém que já se foi!”
 
O ovo que ele segurava, tentando quebrar com sutileza, já tinha se estourado em sua mão.
 
Bachituh: “Merda. Merda!”
 
Ele respirou fundo enquanto lavava as mãos na pia. O som da água colidindo com o metal ecoava em sua cabeça, enquanto ruídos secos, como tiros distantes, traziam novamente Uneyova à sua memória.
 
Uneyova (com olhar sério): “Apareça, Bachituh!”
 
Havia uma TV grande à sua frente e um controle de videogame nas mãos de Bachituh. Ele piscava os olhos, mas a lembrança era vívida a ponto de parecer que estava dentro dela.
 
Bachituh (desorientado): “O quê? Eu já disse que não posso ficar jogando até tarde contigo. Por que não vai embora?”
 
Uneyova (com olhar brincalhão): “Haha! Você não vai me distrair dessa vez, espertinho. Estou com uma AK-47 nas minhas mãos virtuais, e você não vai escapar, Bachi!” 
 
O som da água cessou por um momento, rasgando a imersão da lembrança. Ele deixou de viver o passado e olhou para a pia, para a água que havia parado de jorrar da torneira, e pensou:
 
“Faltou água?"
 
Ele passou a mão no rosto, andou em direção ao quarto e se jogou na cama.

Bachituh (pensando): “Vou esperar a água voltar para cozinhar o jantar.”
 
Ele não trocou de roupa. Apagou a luz, deixando apenas a claridade baixa do abajur distante. Ficou ali, deitado, cobriu metade do corpo por causa do frio e apoiou o braço sobre o peito. A tela do celular iluminava seu rosto. Ele rolou o feed sem atenção. O dedo subia, descia, repetia o gesto, mas nada ficava em sua memória.
 
Piscou.
 
Por um segundo, sentiu um peso ao lado do corpo. Nada visível. Ele olhou em volta, curioso, até que voltou a mexer no celular.
 
UMA NOTIFICAÇÃO.
 
MENSAGEM HOSHIRUH: “Quando vai me satisfazer, seu gostoso?”
 
Ele visualizou, mas não respondeu. 
 
Outra vibração.

MAIS UMA NOTIFICAÇÃO.
 
Bachituh respirou fundo. A tela parecia mais brilhante do que deveria. Os olhos ardiam. Ele piscou de novo. Por um instante, teve a impressão de que alguém respirava perto do seu ouvido.
 
Fixou a mente por um momento e abriu o teclado. O celular escorregou um pouco entre os dedos. Ele ajustou a mão, sentindo o corpo pesado, como se estivesse afundando no colchão.
 
Piscou.
 
A tela continuava ali. As mensagens também. Tudo parecia igual. Mas algo estava errado. O quarto estava silencioso demais. Nenhum som vindo da janela invadia mais seus ouvidos, porém ele pensou:

“Deve ser apenas impressão minha.”
 
Piscou.
 
“VOCÊ FINGE TÃO BEM QUE NÃO PRECISA DE MIM.”
 
Bachituh tentou virar o rosto. O corpo parecia pesar uma tonelada e, mesmo quando pensava que se movia, parecia continuar no mesmo lugar.
 
“PASSA O DIA CANSADO SEM FORÇAS.”
 
A garganta deu um nó, causando falta de ar imediata.
 
“EU POSSO ACABAR COM ISSO.”
 
Sussurrou a entidade feminina.
 
“POSSO SILENCIAR TUDO… CONGELAR SUA DOR."
 
Ela lambeu seu rosto enquanto seus seios esbarravam nele, e ele se debatia, tentando sair da experiência.
 
“ATÉ QUANDO VOCÊ VAI TENTAR ME EXPULSAR? HAHAHAHAHA!”

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