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PARALISIA DO SONO #4 |16+|


#4: INSÔNIA

“Respondendo à sua pergunta, quando eu não durmo por muito tempo, não é como se eu tivesse sono literal. Na verdade, é como se eu estivesse em alerta constante, porém lento ao mesmo tempo. É uma sensação estranha. Há momentos em que até a realidade se mistura com o sonho, e fica difícil distinguir uma coisa da outra.”

Hoshiruh: “Bachituh, eu amo quando você, depois de fazermos um amor tão intenso, vem com essas explicações filosóficas, sabe?”

Ela respirou mais forte por um momento, como se quisesse repetir o que havia acontecido há poucos instantes.

Hoshiruh: “Você sabe exatamente como me acender, não é mesmo?”

Ele estava envolto no lençol junto com ela, porém, mesmo juntos de maneira tão íntima, aquilo não preenchia o interesse dele.

Hoshiruh (ficando nervosa): “Ei, senhor introspectivo, você não reparou que tem uma loira pelada na mesma cama com você?”

Ele se virou lentamente e deu um beijo intenso antes que ela pudesse falar mais alguma coisa.

Bachituh (com olhar frio): “Eu prefiro quando você não fala e só ge...”

Ela rolou na cama antes que ele completasse a frase e ficou com o corpo pressionando sobre o dele. Agora, eles se encaixavam perfeitamente, de maneira corpórea.

Hoshiruh (com olhar travesso): “Ora, ora… lá fora você mantém essa postura de quietinho e aqui tá sendo todo machista, né?”

Ele soltou um leve sorriso e virou para o lado oposto, evitando que o olhar dele se entrelaçasse tanto ao dela. Ela rolou de volta, se ajeitou e se aproximou do corpo dele, deitando-se ao seu lado e se aconchegando.

Bachituh (olhando para o teto): “Já está com sono?”

Ela fez uma expressão fofinha, bocejou e, quase fechando os olhos, disse:

“Sim, sim, amorzinho… Good night...”

Ela suspirou e caiu em um sono profundo ao lado dele.

Ele deu uma leve checada em Hoshiruh ao seu lado. Verificou o quanto ela era desejável mesmo dormindo; parecia que o corpo e tudo o que existia nela era quase um impulso encarnado em pessoa.

Bachituh (pensando): “Parece que fizemos tudo tão rápido que não me lembro do começo. Sinto desejo de fazer mais, mas meu corpo fica parado, como se não quisesse continuar. Queria parar de não sentir.”

O silêncio preencheu o quarto.

Algo começou a surgir como um comichão, subindo pela cama, contorcendo-se sob os lençóis. A sensação era física, invasiva. Parecia haver um ímã, uma força esmagadora, atraindo algo pesado, como um rolo compressor, sobre o corpo nu de Bachituh na cama.

Primeiro veio o peso nos tornozelos, como se mãos invisíveis apertassem os ossos até rangerem.

Então, a pele começou a arder. Não era calor. Era rasgo.

Bachituh arregalou os olhos com dor, enquanto isso, os lençóis se moviam sozinhos, inchando como se algo rastejasse por baixo. Era um som úmido, de carne se arrastando.

Ele não conseguia olhar para baixo e fixava os olhos em um único ponto.

Dava vontade de fechá-los, mas resistia, pois sabia: se os fechasse, cairia em um pesadelo ainda pior.

A coisa subiu. Bachituh se debatia em silêncio.
A entidade sussurrou, agora colada no ouvido dele, com um hálito frio e podre:

“POSSO ENTRAR NESSE LUGAR TAMBÉM, BACHI?”

A entidade riu baixo, emitindo um som gorgolejante, como se houvesse líquido nos pulmões.

E começou a movimentar seu corpo melequento sobre o dele, roçando, enquanto ele presenciava tudo, impotente.

“QUERO QUE FIQUE MAIS TEMPO DENTRO DE MIM!”

Ele não conseguiu resistir à pressão e apagou. Quando abriu os olhos, estava no meio de um parque cheio de pessoas. Havia movimento por todos os lados, mas algo estava errado: ele não conseguia fixar o rosto de ninguém. As feições escorriam, borradas, como se a realidade estivesse mal renderizada. Vozes ecoavam em ritmos desencontrados, risadas surgiam tarde demais, aplausos vinham sem motivo.

Hoshiruh (animada): “Vamos nesse!”

Bachituh quis se perguntar o que havia acontecido, mas Hoshiruh o puxava pela mão.

Hoshiruh: “Vou ali comprar nossas fichas na barraquinha, gatinho. Já volto.”

Ela se afastou.

Bachituh (pensando): “Será que não dormir está me dando alucinações?”

Ele olhou em volta. Crianças corriam em círculos perfeitos, repetindo o mesmo trajeto. Pais aplaudiam sem emoção. Casais andavam de mãos dadas, mas nenhum deles conversava. O parque era familiar demais. Como uma lembrança que ele já havia vivido. Então, perto demais do ouvido, uma voz familiar disse:

“Bachi.”

O som não veio de um ponto fixo. Veio de todos os lugares ao mesmo tempo. Ele virou o rosto com o coração disparado.

Bachituh: “Não. Não pode ser...”

Era Uneyova. Usava o mesmo vestido bordado da época da formatura.

Uneyova: “Estou bonita?”

A voz dela ecoou um segundo depois do movimento dos lábios.

Bachituh (transtornado): “Você não pode ser real! Eu te deixei naquele dia de formatura… eu te esqueci! Eu te esqueci...”

Uneyova sorriu.

Uneyova girou lentamente; o tecido do vestido rodou até parar. Ela olhou para ele, esperando uma resposta.

“Diz logo.”

Ele fez um olhar de espanto para ela, se virou e começou a correr. Ao esbarrar nas pessoas, elas não reclamavam. Apenas voltavam à posição original, como bonecos reposicionados. Algodões-doces caíam no chão sem sujar. Pipocas ficavam suspensas por um instante antes de cair.

Bachituh (ofegante): “Eu estou ficando louco...”

Quanto mais ele corria, mais o parque se estendia. Ele passou por uma barraca de algodão-doce. A vendedora sorriu.

“Quer um, amor?”

Ele ignorou e continuou correndo.

Dez passos depois, a mesma barraca. A mesma vendedora. O mesmo sorriso.

“Quer um, amor?”

Ele parou. Virou. A barraca anterior não estava mais lá.

Apenas essa. Sempre essa. Foi então que ele entendeu, com um frio subindo pela espinha:

“Estou em um pesadelo!”

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