#5: LOOPING
Psicóloga (anotando): “Então, segundo a sua percepção, você está preso?”
Bachituh: “Uhum.”
Psicóloga (anotando): “Ao meu ver, você entrou em um labirinto e, seja qual for a rota que seguir, continuará perdido.”
Bachituh: “Uhum...”
Bachituh estava deitado em um vazio. Não havia chão, mas ele também não sentia a queda. Não havia teto, mas também não havia céu. A psicóloga estava sentada à sua frente, ou acima? Ou ao lado? A distância entre eles parecia mudar a cada palavra. Às vezes ela estava perto demais. Às vezes tão longe que a voz dela parecia a reprodução de um eco.
Psicóloga (ajeitando os óculos): “Sonhos são interessantes, sabia? Pois nunca sabemos como foi o início e nunca chegamos ao final.”
Bachituh meneou a cabeça, concordando, sem conseguir mover outra parte do corpo.
Psicóloga: “Meu diagnóstico, Bachi, é que você cedeu o espaço para todo o evento e, enquanto estiver dentro dele, não terá controle daquilo que criou.”
Ele piscou.
Água girava em círculos. Ele olhava, admirava, porém, uma hora aquilo tudo acabava, até ele ligar o chuveiro novamente. Ele saiu do box do banheiro. Tudo estava impregnado de vapor. Olhou no espelho, viu ela novamente, ignorou. Já estava farto de vê-la. Abriu a geladeira, não conseguia ver a marca das coisas no rótulo, comeu tudo sem sentir gosto, deitou para dormir e, de repente, o tempo parou novamente. Sua reação ao pensar foi a mesma.
“Calma… calma. É só—”
Aquilo de novo.
Chefe: “Ei! Ei!”
Viu aquele jump scare demoníaco enquanto ajeitava suas coisas no armário. Os mesmos olhares estranhos das garotas. A mesma desculpa para disfarçar a vergonha.
Bachituh: “Esses insetos…”
A consulta. Os mesmos flertes. A lembrança distorcida de Uneyova. O despertar sem saber que, na verdade, a realidade que ele vivia era o pior dos pesadelos.
Os gemidos que vinham dele ou dela surgiam ao fundo daquela união que os envolvia, até que ambos, em comum acordo, repetissem esse encontro num vai e vem, até que, enfim…
“Bachituh, eu amo quando você, após fazermos um amor tão intenso, vem com essas explicações filosóficas, sabe?”
"Eu tentava preencher o vazio com desejos jogados em lugares tão vazios quanto eu. Os abismos se olhavam e entravam em um paradoxo infinito. O negativo com negativo nunca virava positivo. E no final das contas, eu sempre chegava em você."
De novo.
Bachituh (olhos fixos a frente): “A personificação de tudo que eu tento guardar no fundo. Porém sempre emerge pior.”
De novo
Ele não precisou virar a cabeça. Ela sempre esteve lá. À sua frente. Ou ao lado. Ou dentro. Sorrindo de maneira bizarramente maligna...
Ele piscou e abriu os olhos com violência, olhando para o teto, acompanhado de um suspiro profundo. O coração batia descompassado. As mãos tremiam. Ele tentou lembrar do sonho, mas as imagens já escorregavam.
E então, a voz.
Sayoh (gritando e andando pela casa): “Amor, tu não disse que iria participar da comemoração de 10 anos da sua turma?”
Ele olhou em volta, assustado, pegou o lençol que o cobria e sentiu com o tato.
Era real.
Levantou-se e olhou para fora pela janela, sentindo a brisa e ouvindo os pássaros.
Algo tocou nos ombros dele. Por um instante, o toque pareceu frio demais. Gelado. Como se...
“Amor? Tá tudo bem?”
O calor voltou.
Bachituh (arrepiado): “Sim, sim.”
Ele deu um selinho na boca dela e foi andando em direção à sala.
Bachituh (coçando a cabeça): “O café da manhã está pronto, esposinha linda do meu coração?”
Ela fez um olhar cansado e cômico, cruzou os braços e falou de maneira fofinha para irritá-lo.
“Claro, amorrr...”
Ele se virou para trás.
Bachituh (olhos semicerrados): “Você quer me provocar logo pela manhã, né?”
Ele foi atrás dela correndo, e ela corria rindo, de camisola, até os dois se agarrarem finalmente na cama e ficarem com os olhares apaixonados entrelaçados.
Sayoh: “Tem certeza de que quer encontrar ela novamente depois de tanto tempo, Mor? E, pra deixar claro, morro de ciúmes do seu primeiro crush.”
Bachituh: “Querida, eu já esqueci ela há muito tempo. Só vou por obrigação mesmo.”
Ela fez um olhar de dúvida para ele, e ele desviou o olhar, soltando-a finalmente na cama. Recompôs-se e foi andando até a cozinha, enquanto ela soltava um comentário em voz alta, para que ele pudesse ouvir de longe.
“Tudo bem, mas não me chama de senhora na frente de ninguém, ok?!”

Obrigado por acompanhar esta história até aqui. Espero que leiam o posfácio, onde explico um pouco do processo de criação desta obra. Até logo!
ResponderExcluirAdorei a série!
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